Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
Hoje vou falar de reclamações. Ou melhor, vou começar por falar de reclamações, sendo certo que é provável que o meu raciocínio lógico se perca algures no caminho e me leve a falar da chuva, ou do gorro garridíssimo que a minha mãe me ofereceu (e que vai dar um jeitão quando for fazer o meu curso em Paris - sou tãããããão "piiiiiiiiiiiiiii"), ou da minha casa, ou do facto das relações mal alimentadas perderem o interesse ou... Enfim... Acho que ficaram com a ideia.

E vou falar de reclamações porque me parece que a generalidade das pessoas não sabe a verdadeira utilidade de um Livro de Reclamações... Daí que se ouçam barbaridades como a que ouvi hoje, aquando da sempre admirável espera pelo transporte fluvial que me trás ao burgo. Dizia um cavalheiro, a propósito de uma perturbação nas carreiras que parece ter havido de manhã: "Isto o melhor é nem reclamar, senão ainda corremos o risco de ter de pagar por cima!"

Ora bem, uma leitura mais atenta das notícias do Sapo, de ontem, ou de um qualquer jornal gratuito do qual não me recordo o nome, mas que o meu companheiro de lugar do Metro estava a ler, e perceberiam o alcance da questão. É que, aparentemente, alguém terá sido processado por, alegadamente, ter feito uma reclamação injuriosa. A minha questão é: e então??? Está errado? A mim parece-me a "decisão acertada". Se, de facto, a reclamação não tinha fundamento, então porque é que o reclamante não deve ser penalizado? Se uma pessoa, só porque está de mau-humor num qualquer dia, pode escrever uma reclamação no Livro e com isso colocar em causa toda a reputação de um restaurante (se não me engano era disso que se tratava), então porque não reconhecer legitimidade ao seu proprietário para se ver ressarcido dos danos causados?

Reclamar é um direito e, a meu ver, principalmente um dever. Mas reclamar não é rabiscar; não é gastar papel. Reclamar não é prejudicar a contra-parte só porque sim. Reclamar é defender um ponto de vista; é manifestar a indignação que decorre da frustração das nossas expectativas... Quando essas expectativas têm fundamento.

Mas para além destas questões, é importantíssimo que as pessoas tenham noção que não basta terem razão. É fundamental que as entidade reguladoras de cada sector consigam perceber o que está escrito nas Folhas. E mais: se, de facto, querem receber feedback do que escreveram, então devem preencher os espaços da Folha dedicados ao nome, morada, número de telemóvel, e-mail... É que aquilo não está lá apenas para enfeitar! E se nas primeiras duzentas reclamações ainda se tem paciência para ligar ao reclamante a perguntar qual a morada para onde se deverá remeter a correspondência, a verdade é que os técnicos não são pagos para brincarem às centrais telefónicas.

Portanto, reclamem! Eu reclamo... Muito! E é pelas reclamações que os que me rodeiam percebem o meu interesse. Quanto mais eu reclamo, mais me importo. Se não reclamo; se não barafusto; então é porque algo vai mal...


publicado por AB às 21:13 | link do post | comentar | favorito

4 comentários:
De Lima a 21 de Janeiro de 2008 às 11:30
Agora concebe a última sobre o caso:

A mulher que se queixou pertencia a um grupo de 30 pessoas.

O representante da Câmara vem dizer que arquivaram o processo de reclamação, na sequência do processo crime, e também porque não lograra fazer prova da queixa.

Podre...


De AB a 20 de Janeiro de 2008 às 19:35
VV,(que tal está Cabo Verde?), julgo que o Lima já terá respondido à tua questão. O Livro de Reclamações não está relacionado com testemunhas e tribunais. Se um dia decidires fazer uma reclamação no Livro de Reclamações de uma lavandaria, por exemplo, o seu proprietário está obrigado a enviar a folha original para a entidade reguladora do sector - que seria, nesse caso, a ASAE -, acompanhado do que se lhe oferecer sobre o assunto, e o processo correrá ao nível desta última entidade - que, à partida, tomará em conta a tua reclamação, a defesa elaborada pela lavandaria e as regras reguladoras da actividade a fim de tomar uma decisão.

Lima (bom ano!!!!;)), de facto não tinha conhecimento desse "pormenor"... Que me espanta largamente, tal como a ti... Mas acho que já ambos vimos (tu até mais do que eu) que podem acontecer coisas muito peculiares neste nosso país à beira mar plantado. De todo o modo, a minha ideia era chamar a atenção para a necessidade de se reclamar, mas fundamentadamente - especialmente pela perigosidade que decorre da banalização dos nossos meios de defesa.


De Lima a 18 de Janeiro de 2008 às 14:48
Pi, calma:

O gravoso do caso que citas deve-se ao facto de a reclamante ter sido condenada criminalmente por difamação, quando o processo administrativo relativo à queixa prpriamente dita ainda nem teve decisão final.

Aliás, nem compreendo como é que um processo crime - de reacção - crre termos antes de descortinado o fundamento da queixa original, na instância própria.


De VV a 17 de Janeiro de 2008 às 11:52
Ó caríssima reclamante, tenho aqui uma questãozita que desfazes em segundos!

Então por exemplo, eu se escrever no Livro, não me obrigo a a) ter testemunhas e b) ir a tribunal depois, alistando-me num processo burocrático maior que a distância pontual para o Porto?


Comentar post

Definição: pessoa que fala muito e sem pensar.
mais sobre mim
Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28


posts recentes

5/2010

4/2010

3/2010

2/2010

1/2010

HOJE.

CONTINUANDO.

CANSEI-ME.

DIA 79.

DIA 76.

arquivos

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

blogs SAPO
subscrever feeds